16/09/2011


Recebi um e-mail hoje convocando para uma marcha na Avenida Paulista, ainda sem data definida, para pedir a demissão de toda a classe política. Apesar de ser louvável tal indignação, creio não ser esse o melhor caminho a ser adotado. Vejamos bem. Todo homem é um ser político, mesmo aquele cidadão que não possui cargo ou função na esfera pública. Como ser político, deveríamos nos sentir co-responsáveis pelas decisões e projetos que são elaborados pelos agentes políticos, nossos representantes através do sufrágio universal, o voto. Ocorre, porém, que boa parte dessa mesma população sequer lembra em quem foi que votou na última eleição. Isso significa que as pessoas não votam de forma consciente. E se não existe uma consciência política, não é possível ocorrer mudanças realmente significativas no contexto político e social de nosso país.
Concordo quando o autor do e-mail elenca que é necessário reduzir as mordomias, criminalizar o enriquecimento ilícito e criar mecanismos para que o dinheiro volte aos cofres públicos, mas para que ocorra uma “reforma” na arena política de nosso país, é necessário que antes, ocorra um esclarecimento da população, uma desalienação política, e tal fato só é possível através de um conhecimento crítico sobre a realidade existente.
Não é reduzindo o número de deputados e nem extinguindo os institutos Público que se conseguirá eliminar com a corrupção; isso, no máximo, vai abrir oportunidade para outros aproveitadores. O que é necessário é que o povo faça seu papel, que é o de acompanhar e fiscalizar o que o governo, através de seus representantes, está fazendo com o dinheiro público. E aí nos deparamos com uma questão crucial: como exercer tal papel sem uma consciência de classe intrínseca em si? E como ter essa consciência, se o cotidiano do trabalhador não permite tempo para reflexão?É, mudar a realidade sem mudar antes as consciências, é no mínimo, um pensamento bem utópico

13/09/2011



Hoje em dia os escândalos com os desvios do dinheiro público para contas particulares já estão virando rotina. Tem sempre uma novidade, é um que utiliza para pagar a empregada, outro que se utiliza do cargo para beneficiar parentes e assim vai. O “povo” fica indignado, políticos corruptos, ladrões, indignos de confiança e etc. Porém, na hora de demonstrar toda essa indignação, esse mesmo povo vota naqueles políticos, que antes foram tachados de corruptos e inescrupulosos. Até quando viveremos nessa hipocrisia? Sempre ouvimos dizer que “uma andorinha só não faz verão”, e concordo com isso. Mas então, porque em uma sociedade onde a MAIORIA é composta por pessoas excluídas social e financeiramente, é dirigida e tem sua conduta moral e cultural determinada por uma MINORIA? Isso se chama o poder da ideologia. E infelizmente, esse poder o povo não possui. Não é a ideologia do proletário, do trabalhador, que é ensinada nas escolas, nos berçários, nas residências, nos programas de TV. É a ideologia do capitalista, do detentor da maior parte da riqueza que é produzida pela população, e que possui até mesmo, o poder de manipular os desejos e sonhos desse povo.
Acredito que toda luta, todo esforço de reação é benéfico, porém terá sempre como meta uma utopia ideológica, se na base, entre o próprio povo, não existir a consciência de si como classe, como seres integrantes de um sistema excludente e exclusivo, cujo baluarte é o individualismo e o consumismo. Conhecer o que existe por trás dessa ideologia, dessa “cultura” tão brasileira, deve ser primordial para entender de que forma podemos mudar a realidade.