
Falar sobre os sentimentos não é algo fácil. Aprendemos tantas coisas na escola, fazemos descobertas fascinantes sobre o universo, o cosmo, o corpo humano, as entranhas do planeta, mas não conseguimos perceber aquilo que se passa no nosso interior, os desejos, os traumas, os sentimentos, positivos e negativos, que norteiam nossa vida, nossos atos, nossas escolhas.
Somos dominados por algo que desconhecemos, e na maioria das vezes, também não nos damos conta dessa manipulação. Como, então, dizemos que somos seres livres? Onde está o livre arbítrio, se não sabemos aquilo que efetua papel regulador em nossa existência?
Boa parte de nossas vidas somos levados pelos impulsos, seja no amor, seja no consumismo, seja no ódio. Não paramos um minuto para nos questionar sobre o porquê daquela sensação, daquela necessidade... Somos meros expectadores de nossa própria vida.
No amor, esperamos aquele ou aquela que irá nos fazer felizes. No trabalho, esperamos ser reconhecidos, com os amigos, queremos ser amados... na infelicidade, o culpado é sempre o outro... Se sou dona da minha vida, por que permito que outros interfiram nela e ditem como devo me sentir?
Por que não posso amar pelo prazer de amar? Reconhecer o valor do meu trabalho, independente da opinião alheia; contar com os amigos, mas não utilizá-los como muletas.
Por que preciso pautar minhas atitudes em cima daquilo que os outros acham? Parece aquela música: “ ...provar pra todo mundo, que eu não preciso provar nada pra ninguém”. Que paradoxo!
E aí entra a questão: auto conhecimento. Como posso me conhecer se preciso agir de acordo com a opinião alheia?
O primeiro passo pra qualquer mudança parte do conhecimento sobre aquilo que precisa ser mudado. Para podermos nos conhecer precisamos errar sim, decepcionar alguns, nos decepcionarmos conosco mesmo... mas não podemos parar aí. Enxugar as lágrimas da mágoa, da decepção e recomeçar, de uma maneira bem melhor, de forma mais confiante, porque agora, sabemos exatamente aquilo que devemos mudar.
Por mais longa que seja, a vida é sempre um curto momento aqui na terra. Mesmo quem não acredita em nada sobrenatural, precisa reconhecer que, diante do tempo, nossa existência é algo veloz, e que na maioria das vezes, passa em branco, porque não aproveitamos essa oportunidade para vivermos de fato. Quando analisada sob esse ponto de vista, a gente percebe o quanto perdemos tempo precioso com sentimentos e atitudes que não levam a nada... Por que desperdiçar essa oportunidade única então?
Quando nos conhecemos sabemos exatamente como aproveitar da melhor forma esse presente, que é a nossa vida. Mas, como todo aprendiz, os erros são inevitáveis e muitas vezes necessários, porque cair faz parte do processo de aprendizagem. Mas aquele que, por medo de cair novamente, permanece ao chão, não vai conseguir ir adiante e nem conseguirá aproveitar a lição. E não, não podemos fazer a tarefa por ninguém, cada um precisa fazer o seu, e nem adianta tentar “colar” do outro, porque a avaliação não é uniforme, é pessoal e o rendimento depende daquilo que cada um consegue assimilar do que foi vivido. Com toda certeza, quando estivermos aptos, poderemos sim ajudar aqueles que encontram dificuldades no seu teste, mas para isso, já devemos ter efetuado o nosso auto conhecimento, nossa mudança interior, nosso amadurecimento humano e espiritual.