Recebi um e-mail hoje convocando para uma marcha na Avenida Paulista, ainda sem data definida, para pedir a demissão de toda a classe política. Apesar de ser louvável tal indignação, creio não ser esse o melhor caminho a ser adotado. Vejamos bem. Todo homem é um ser político, mesmo aquele cidadão que não possui cargo ou função na esfera pública. Como ser político, deveríamos nos sentir co-responsáveis pelas decisões e projetos que são elaborados pelos agentes políticos, nossos representantes através do sufrágio universal, o voto. Ocorre, porém, que boa parte dessa mesma população sequer lembra em quem foi que votou na última eleição. Isso significa que as pessoas não votam de forma consciente. E se não existe uma consciência política, não é possível ocorrer mudanças realmente significativas no contexto político e social de nosso país.
Concordo quando o autor do e-mail elenca que é necessário reduzir as mordomias, criminalizar o enriquecimento ilícito e criar mecanismos para que o dinheiro volte aos cofres públicos, mas para que ocorra uma “reforma” na arena política de nosso país, é necessário que antes, ocorra um esclarecimento da população, uma desalienação política, e tal fato só é possível através de um conhecimento crítico sobre a realidade existente.
Não é reduzindo o número de deputados e nem extinguindo os institutos Público que se conseguirá eliminar com a corrupção; isso, no máximo, vai abrir oportunidade para outros aproveitadores. O que é necessário é que o povo faça seu papel, que é o de acompanhar e fiscalizar o que o governo, através de seus representantes, está fazendo com o dinheiro público. E aí nos deparamos com uma questão crucial: como exercer tal papel sem uma consciência de classe intrínseca em si? E como ter essa consciência, se o cotidiano do trabalhador não permite tempo para reflexão?É, mudar a realidade sem mudar antes as consciências, é no mínimo, um pensamento bem utópico
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