
Hoje em dia os escândalos com os desvios do dinheiro público para contas particulares já estão virando rotina. Tem sempre uma novidade, é um que utiliza para pagar a empregada, outro que se utiliza do cargo para beneficiar parentes e assim vai. O “povo” fica indignado, políticos corruptos, ladrões, indignos de confiança e etc. Porém, na hora de demonstrar toda essa indignação, esse mesmo povo vota naqueles políticos, que antes foram tachados de corruptos e inescrupulosos. Até quando viveremos nessa hipocrisia? Sempre ouvimos dizer que “uma andorinha só não faz verão”, e concordo com isso. Mas então, porque em uma sociedade onde a MAIORIA é composta por pessoas excluídas social e financeiramente, é dirigida e tem sua conduta moral e cultural determinada por uma MINORIA? Isso se chama o poder da ideologia. E infelizmente, esse poder o povo não possui. Não é a ideologia do proletário, do trabalhador, que é ensinada nas escolas, nos berçários, nas residências, nos programas de TV. É a ideologia do capitalista, do detentor da maior parte da riqueza que é produzida pela população, e que possui até mesmo, o poder de manipular os desejos e sonhos desse povo.
Acredito que toda luta, todo esforço de reação é benéfico, porém terá sempre como meta uma utopia ideológica, se na base, entre o próprio povo, não existir a consciência de si como classe, como seres integrantes de um sistema excludente e exclusivo, cujo baluarte é o individualismo e o consumismo. Conhecer o que existe por trás dessa ideologia, dessa “cultura” tão brasileira, deve ser primordial para entender de que forma podemos mudar a realidade.
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